A chance da TAM se consolidar como um player internacional
Por: Jornal de Turismo
Data de Publicação: 24 de junho de 2008
A entrada da TAM na Star Alliance, que deverá ser anunciada nas próximas semanas, dará visibilidade a uma das maiores transformações que ocorreu na história da companhia aérea. De uma empresa regional, com uma visão local e um sotaque inegavelmente paulistano, a TAM passou a ser uma operadora internacional com fortes alianças com as principais congêneres internacionais.
Ingressou um reservado time de empresas aéreas que estabelecem laços além da sua fronteira nacional, passando a ser reconhecida como empresa de bandeira e líder da sua área. O responsável direto por este trabalho é Paulo Castello Branco, vice-presidente da TAM e responsável pelos acordos internacionais, que inseriram a empresa em um cenário que tem impacto na geração de receitas e reconhecimento de mercado.
A TAM, com a sua frota de mais de cem aviões e hoje como líder do mercado brasileiro, poderia apresentar esses mesmos números mantendo uma visão tacanha e modesta. A transformação cultural em um player mundial só ocorre quando uma companhia aérea adota uma visão estratégica na qual não pode mais voar sozinha.
Foram essas mesmas alianças que transformaram a velha Varig em uma potência mundial e reconhecida como uma das maiores empresas aéreas do mundo. Faltava à TAM passar a ocupar este papel, que acabou ocorrendo com um estabelecimento de uma network inicial, ainda na época do comandante Rolim, com a American Airlines e Air France.
Sob o comando de Castello Branco, as alianças cresceram. As parcerias com a TAP, Lufthansa, United, LAN criaram um cenário de primeiro mundo, que beneficia a empresa com code shares, conexões e vendas interlines.
Está também sob a responsabilidade de Castelo Branco o planejamento do yield management da TAM, que passou em uma perversa equação de valorização do petróleo e queda da receita em dólar pela desvalorização da moeda norte-americana. A política adotada por ele e sua equipe praticamente blindou a empresa desses ataques externos. A receita do doméstico está crescendo e o internacional representa hoje uma considerável parte do faturamento.
Nessa reta final, dias antes da entrada da TAM na Star, Castello Branco tem cumprido uma apertada agenda empresarial, inclusive com viagens ao exterior, conciliando isso com uma dolorosa agenda pessoal, com sua mãe internada na UTI de um hospital há mais de 40 dias, da qual ela, felizmente, saiu no final da semana passada.
Gerar uma política tarifária lucrativa e ao mesmo tempo colocar a TAM em patamar de relacionamento internacional de igual para igual, coloca a vice-presidência de Castello Branco como um dos braços mais operosos do presidente David Barioni. Para os líderes do mercado não será surpresa se houver um fusionamento da vice-presidência comercial, que era ocupada por Wagner Ferreira, com a de Paulo Castelo Branco. Além de seguir uma tendência internacional de enxugamento de custos, as duas áreas se completam e podem criar um alinhamento operacional que será aplaudido pelo mercado, com a valorização da alçada de ação dos diretores subordinados até então às duas áreas.
A TAM vive um momento delicado de transformação e tem no horizonte duas opções. A primeira é consolidar uma mudança cultural que a fez virar um player global e a outra é manter um posicionamento de gestão que não condiz mais com a importância que a companhia ganhou e nos números que passou a gerar, levando em conta que, cada vez mais, o seu faturamento internacional está alicerçado e proporcional ao espaço que as empresas de aviação ocuparão no cenário mundial.
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