A revolução silenciosa no turismo do Rio de Janeiro
Por: Jornal de Turismo
Data de Publicação: 6 de março de 2008
REPORTUR
Cláudio Magnavita
A realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro no ano passado e a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 estão causando os primeiros sinais de revitalização do parque turístico do Estado. Uma silenciosa revolução do turismo já está em curso.
A necessidade de uma hotelaria revigorada e de novos atrativos turísticos tem atraído novos (grandes) investidores ao turismo do Rio de Janeiro. O exemplo mais recente é a entrada do grupo EBX, do empresário Eike Batista, ao mundo do turismo, primeiramente com o lançamento do barco de luxo Pink Fleet na Baía de Guanabara e agora com a proposta oficial de compra do Hotel Glória.
O sucesso do barco de luxo desde o seu lançamento mostra que o empresário Eike Batista não caiu de pára-quedas no turismo. Pelo contrário. Como a mão de Midas, Eike transforma em ouro, ou melhor, diamante, cada negócio que toca. Caso se concretize a compra do Hotel Glória, seu grupo pretende transformá-lo em um hotel-boutique, ou seja, um empreendimento de luxo aos moldes do Fasano e do Emiliano, de São Paulo. Estima-se que o valor de compra seja de R$ 80 milhões e que o grupo utilize outros R$ 80 milhões em reformas. A idéia é preservar a torre principal e otimizar o espaço do hotel para a realização de eventos, um dos ramos que mais cresce e que mais dá lucro ao turismo atualmente.
Outro grupo forte que inicia sua incursão no turismo pelas areias cariocas é a GP Investimentos, empresa do grupo de investidores oriundos do Banco Garantia (leia-se: Marcel Telles, Jorge Paulo Lehmann e Carlos Alberto Sicupira). O grupo, que pretende investir um bilhão de dólares no Brasil, constituiu a LA Hotels S.A., com investimento inicial de 150 milhões de dólares. Como primeira aquisição, o grupo comprou a rede de Hotéis Luxor, que é proprietária do Luxor Regente e do Luxor Continental, além de ter participação de 25% no Luxor Copacabana.
Os investimentos no setor de turismo não páram por aí. Os empresários Ricardo Amaral e Sérgio Goldberg estão à frente do mega-empreendimento da Praia do Peró, entre Cabo Frio e Búzios, que contará com um village de altíssimo luxo do Club Med e um hotel Sheraton. O resort deve se beneficiar – e muito – do aeroporto internacional de Cabo Frio, inaugurado no ano passado.
Seguindo ainda na hotelaria de alto luxo, ano passado o Rio de Janeiro recebeu os primeiros investimentos na cidade da holding Fasano Hotéis e Resorts, formada pela família Fasano e pela construtora e incorporadora JHSF. O hotel cinco estrelas de Ipanema, que custou cerca de 800 milhões de reais, trouxe ao Rio o que ele ainda não tinha: um hotel boutique de altíssimo luxo, com a assinatura do mestre do design Philippe Starck. Com o sucesso do hotel, já corre a notícia de que o grupo estuda outros investimentos na cidade.
O desembarque de investidores de peso no turismo do Rio de Janeiro é uma prova de que a cidade, e o Estado, ainda têm um potencial enorme de crescimento. Com os atrativos naturais que possui e uma mão-de-obra cada vez mais especializada, a base está formada. Os empresários com visão para grandes negócios já perceberam isso. E a revolução do turismo fluminense já começou.
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