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O renascer de uma marca no reencontro com os variguianos

O renascer de uma marca no reencontro com os variguianos

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Por: Jornal de Turismo
Data de Publicação: 8 de fevereiro de 2008
Cláudio Magnavita

A Varig retoma em plena Fitur (Feira de Turismo de Madri) suas operações diárias para a Espanha. Pouco a pouco, a companhia aérea volta a realizar suas operações internacionais, passando a voar diariamente para Madri, Frankfurt, Paris, Londres, Roma, México e Santiago do Chile. A empresa volta a ter uma distribuição internacional de peso. São mais de mil assentos diários do Brasil para Europa.

O mercado ainda não se deu conta do renascimento da oferta internacional da Varig, que, realizado passo a passo, trouxe de volta uma nova oferta internacional que o Brasil tanto precisou, principalmente para trazer estrangeiros e estabelecer a alimentação para o setor do turismo.

A percepção do ressurgimento da marca com uma operação de peso será ainda maior quando for iniciada a operação nos Estados Unidos. Só a freqüência para Nova York é capaz de ter um trafego superior ao de todas as rotas européias.

A Varig, como empresa internacional, nasceu exatamente nesta freqüência, que foi inaugurada com os Super Constellations e um serviço de bordo de cair o queixo. Foi o grande salto da companhia. Sem voar para Nova York, a Varig não será percebida pelo mercado por inteiro.

Trata-se da rota ideal para a estréia do Espaço Vita, um conceito que foi desenvolvido dentro de uma visão moderna de conforto, aliado ao bem-estar e saúde. Quando definitivamente implantado, trará um conceito atualizado a marca.

A bordo das aeronaves, que hoje voltam a cruzar o Atlântico, estão os variguianos. Muitos deles recrutados já em casa, de pijamas, depois de terem perdido a esperança de voltar a voar. Esses profissionais, recrutados especialmente para o quadro de comissários - já que no cock-pit muitos pilotos e co-pilotos migraram da Gol - trazem a bordo uma cultura de serviço que foi a base de crescimento da própria Varig e que a manteve viva durante o período mais duro.

São raras as empresas aéreas que tiveram uma legião de pessoas trabalhando sem salários, trazendo de casa insumos básicos - como papel higiênico ou pó de café - para servir nos aviões da companhia. Ainda por cima, eles foram vítimas de uma sanguinária campanha de mídia e, mesmo assim, conseguiam manter o sorriso e a vontade de servir.

Os novos proprietários da Varig tiveram uma decisão acertada de recrutar essas pessoas de forma prioritária, mesmo submetendo-as a um rigoroso processo seletivo. Hoje, além de uma marca de valor, eles possuem uma equipe de valor. Um time que cada vez mais tem que se soltar, nos gestos, no sorriso e reencontrar a sua essência variguiana.

Todo o processo de transição é difícil e os acionistas fazem um investimento pesado para manter a operação internacional de longo curso no nível atual. O mercado, que tanto se fidelizou à velha Varig e foi capaz de lhe dar uma sobrevida, optando por voar nela nos momentos mais claudicantes, voltará rapidamente a bordo quando for comunicado que encontrarão a bordo uma legião de conhecidos variguianos.

O regresso da Varig em uma operação internacional de peso traz resultados positivos, muito além dos afetivos. Equilibra o mercado e restabelece uma operação de cooperação na venda do Brasil no exterior. Só com o que o Brasil perdeu de divisas com a migração da receita do transporte internacional para as estrangeiras e com o fim da rede de comercialização no exterior, seria possível ter socorrido a velha Varig, gastando dez vezes menos do que o prejuízo que a nação teve. Mas isso são águas passadas. A marca foi preservada e é preciso fazer o mercado descobrir que a bordo do novo CNPJ existe uma cultura de aviação variguiana que está renascendo, sem medo de conflitos de cultura e sem uma timidez típica de quem está começando agora. Eles estão a bordo por vontade e reconhecimento dos novos proprietários. Foram convidados a voltar por uma questão de mérito e não por generosidade. Está novamente nas mãos dos variguianos o renascer de uma marca.

Deles, dos variguianos, tiraram quase tudo: salário, indenização trabalhista e até o fundo de pensão, que garantiria uma aposentadoria. Só não conseguiram usurpar um dos tesouros mais preciosos. Quando o mercado descobrir isso, haverá fila de espera em todos os vôos internacionais! O maior patrimônio de um variguiano é o seu amor. O amor por cinco letras mágicas, que valem a história de muitas vidas. São elas: V, A, R, I ,G!

Cláudio Magnavita é presidente nacional da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo, membro do Conselho Nacional de Turismo e diretor do Jornal de Turismo.

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